12 de fevereiro de 2010

Resenha conceitual do artigo Desempenho Escolar e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

Alunas autoras: Patrícia Fonseca Alves e Rebecca Mendes Ferreira

Através de uma resenha conceitual do artigo “Desempenho Escolar e Transtorno do déficit de Atenção e Hiperatividade” escrito por Giuseppe Mário C. Pastura - Médico Mestre em Clínica Médica, setor de Saúde de Criança e do Adolescente da UFRJ -, Paulo Mattos – Médico Doutor em Psiquiatria, Professor Adjunto de Psiquiatria da UFRJ - e Alexandra P. Q. Campos Araújo – Médica Doutora em Neurologia, Professora Adjunta de Neurologia Infantil da UFRJ – que tem por objetivo trazer a relação entre desempenho escolar e transtorno déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), buscamos esclarecer dúvidas e estabelecer a importância do diagnostico deste transtorno à vida do individuo portador.

De acordo com os autores, há uma grande influência do TDAH na vida da pessoa portadora, podendo acarretar prejuízos em diversas áreas, como na adaptação ao ambiente acadêmico, nas relações interpessoais e no desempenho escolar. Estes fatores, não são observados como uma regra, mas frequentemente aparecem caracterizando o portador.

Estudos comprovam que o desempenho escolar depende de vários fatores relativos à escola, à família e ao individuo. Fatores que vão da estrutura escolar ao coeficiente de inteligência (QI) do aluno. Ressaltando que o aluno com TDAH tem dificuldade de aprendizado, e não um transtorno de aprendizado.

Alguns testes são utilizados na avaliação do desenvolvimento escolar, entre eles destacam-se: os subtestes de matemática e leitura do Basic Achievement Skills Individual Screener (BASIS), o subteste de aritmética do Wide Range Achievement Test- Revised (WRAT) e o subteste de leitura do Woodcock Reading Mastery Test-Revised.O diagnostico de MDE varia dependendo do critério que tenha sido utilizado. Baixe em PDF,  arquivo na íntegra.
No entanto, a definição do mau desempenho escolar (MDE) é bastante relativa, devido às muitas variáveis utilizadas para avaliar esse diagnóstico. McCall (1994) diz que “o indivíduo portador de MDE não necessariamente tem notas ruins, ele apenas não possui notas tão boas quanto o esperado. De fato, há maior consenso em se considerar mau desempenho aquele substancialmente abaixo do esperado para as habilidades do paciente”.

No método de avaliação de MDE utilizado por Rutter e Yule, 1975, é preciso inicialmente definir uma área de interesse para depois fazer uma comparação entre o desempenho escolar e o QI do aluno. Estabelecendo a leitura como essa área de domínio, “compara-se o desempenho em testes de leitura do aluno com aqueles esperados pela sua idade e o desempenho em testes de leitura com aquele esperado para sua idade e QI”. Porém, não há como realizar essa avaliação em crianças muito pequenas e em séries iniciais. Outra crítica é o fato de não considerar a melhora do desempenho do aluno em testes padronizados.

Compreendemos, assim, a necessidade de avaliarmos um conjunto de fatores, como a alocação em turmas especiais, repetência, notas baixas, suspensão e pontuação abaixo do esperado. Não restringindo a análise do MDE à discrepância entre desempenho em testes padronizados de cálculo e leitura e QI, para que seja considerado cada caso individualmente, pensando na particularidade da capacidade de cada um, tendo suas próprias habilidades como padrão para medida do desempenho.

Os estudos feitos mostram uma maior quantidade de meninos com MDE do que de meninas, em uma proporção que varia de 2:1 a 3:1, havendo divergência entre os autores no que diz respeito ao fator desse fenômeno. Outros fatores estudados, utilizando amostras representativas, como pior nível socioeconômico, divórcio de pais e influência de irmãos mais velhos, provaram não haver relação com o mau desempenho escolar. “Não há estudos sistemáticos investigando a relação entre MDE e as características de professores e da escola”.

O mau desempenho escolar precisa ser trabalhado com profissionais que acompanhem o aluno, o que exige certo nível financeiro, pois pode trazer prejuízo acadêmico e pessoal, devido ao sofrimento vivido pelo aluno e pela família. E que acarreta na vida adulta influenciando a baixa-estima e as relações interpessoais.

Os autores citam estudos que trazem a relação do TDAH com o MDE, trazendo como exemplo a pesquisa feita com 61 jovens portadores de TDAH e 41 indivíduos-controle, onde observaram que, dentre os primeiros, apenas 69% concluíram seus estudos ante a 90% do grupo sem o transtorno. Outra pesquisa compara o desempenho escolar de 158 crianças com TDAH e 81 crianças “normais” e constata que os primeiros tinham três vezes mais chance de repetirem ou serem suspensos e oitos vezes mais chance de serem expulsos que os segundos.

A presença do TDAH parece piorar o prognóstico de crianças portadoras de transtornos de aprendizado mais do que em crianças com transtornos internalizantes, como a depressão. Estudo feito em 1999, por Heiligentein et al., que utilizou notas escolares de alunos com MDE em TDAH e alunos controle mostrou notas bem inferior nos alunos do primeiro grupo.

Alguns autores tentaram explicar as razões pelas quais os portadores de TDAH têm uma maior freqüência de mau desempenho escolar. Para Gaddes (1983) esta relação deve-se a algum grau de disfunção neuropsicológica que leva tanto ao distúrbio de atenção, quanto ao distúrbio de aprendizado. Para Keogh (1971), o paciente portador de TDAH toma decisões apressadas, sem avaliar as situações, impulsivo, o que resulta em tomadas de decisões equivocadas.

Estudos realizados também comprovam que portadores do TDAH do tipo desatento apresentam QIs maiores do que os portadores do tipo hiperativo, embora apresentem um pior desempenho acadêmico.

Concluem atribuindo às dificuldades de aprendizado, grande quantidade de queixas que levam as pessoas a procurarem especialistas. E o TDAH como potencial causa tratável de MDE, traz-nos a compreensão da necessidade do diagnóstico desse transtorno, para que seja adequadamente tratado e acompanhado, pensando na diminuição dos prejuízos do MDE e melhoria de vida do portador.

2 comentários:

  1. A resenha das meninas sobre Desempenho Escolar,foi bastante interessante.
    Isso me remete a um artigo de Psicologia que li há uns dias atrás,que falava sobre basicamente a mesma coisa.
    Na existência de TDAH,pode acabar acontecendo um agravamento do mau desempenho escolar,mas acredito que a partir de uma observação,em primeiro lugar,por parte dos pais,depois dos professores,juntamente com a área pedagógica do colégio,torna-se possível detectar alguns problemas logo no início.
    A partir dessa detecção,será possível através de estimulos por parte da família e do colégio,para que a criança possa desenvolver de maneira tranquila e que não a traumatize,as áreas em que tem mais dificuldades.
    Qualquer evolução ou realização por parte da criança,deve ser elogiada,mas,sempre deverá existir o estimulo,para que a mesma não se acomode.
    Enfim...deixo meus parabéns para as meninas
    e a resenha delas,ajudou a esclarecer algumas dúvidas que eu estava tendo na produção de um atual trabalho.

    SARAH DE ANDRADE CUNHA MARQUES

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  2. Camila Maria Rodrigues27 de fevereiro de 2010 18:00

    ATÉ ENTÃO NÃO SABIA POR CERTO O QUE SERIA TDAH, E ACHEI O TRABALHO DAS MENINAS MUITO IMPORTANTE PARA NÓS FUTUROS PEDAGOGOS QUE ESTAREMOS DISPOSTOS A NOS RELACIONAR COM CRIANÇAS COM DIVERSOS TIPOS DE DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM. NESTE MOMENTO VAMOS TER QUE SABER INTERPRETAR ESSA DIFICULDADE PARA NÃO TER REAÇÕES PRECONCEITUOSAS.
    AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM MUITAS VEZES PODE SER UM PROBLEMA A SER TRATADO COMO VIMOS NO TEXTO, E NÃO UM MOTIVO DE EXCLUSÃO, REPROVAÇÃO, ETC.

    ASS: CAMILA MARIA RODRIGUES

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